Para_Todos


11/04/2008


Tibet
Rosa Pena

Muitos porcos
poucas pérolas
Uma Lama, Dalai!

"O sono da razão produz monstros."

Francisco José de Goya y Lucientes
 
ILUSTRAÇÃO: Goya
 
 
 
LES DEMOISELLES D'AVIGNON
Pablo Picasso
(MUSEU DE ARTE MODERNA, NOVA YORK)

Cubismo literário

Rosa pena 

Cuidado com o traço.
Os sábios quadrados...
Ainda odeiam Picasso.

*

Demoiselles

 

Moacir et Selena

 

les Demoiselles d'avignon
avec - voilà ! - champignon
seront touttes de Bon Ton!
 
*

MARIONETAS

Carmo Vasconcelos

Míticos e absurdos são os sonhos…
Mistificadores
em noites de equações mal resolvidas

Hipnóticos breves
para alucinações da carne
e cefaleias da alma…
Poções inconsequentes
vertidas ao acaso do humor dos deuses
que ébrios de diversão terrena
puxam os cordelinhos
insensíveis
ao sabor acre dos despertares

Marionetas somos
nas mãos libidinosas
dos homens e dos deuses!

 

Escrito por universitários cariocas às 13h38
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07/04/2008


Estação sem flor?
Rosa Pena

Um cão sem dono...
Eu outono.
À flor da pele.

*
OUTONO


desfolha tons,
e mais tons abriga.
Diz folhas.


Eliana Mora, 01/04/2008


 
DEZ DICAS PARA UM BOM POETRIX
(Goulart Gomes)


1. EVITE AS ORAÇÕES COORDENADAS. Um poetrix não é uma frase fatiada em três partes. Vamos tomar um exemplo:

TELEFONEMA

passei a noite em casa
esperando que ela ligasse
mas ela não ligou

Isso não é um poetrix, é a primeira oração de um texto! Está simplesmente horrível! Mas, notemos como ele poderia ficar bem melhor, se a idéia fosse expressada de outra forma:


TELEFONEMA

noite em branco
telefone mudo
até o amanhecer


2. EXPLORE O PODER DO TÍTULO.  Uma das grandes vantagens do poetrix é a existência do título, o que não há no hai-kai. Por vezes, ele pode ganhar uma característica de “verbete”, sendo definido pela estrofe. Suprimam o título e observem diferença que faz:

SEMÁFORO

pensei ser outra lua
olho verde contra o céu
fugaz, no meio da rua

Outro trunfo é que o título não entra na contagem de sílabas. Assim, alternativas criativas podem ser formuladas. Num exercício “exagerado” desta possibilidade, uso como exemplo:

ESTUDO SOCIOANTROPOLÓGICO DE UM COMUM CIDADÃO LATINOAMERICANO DE CLASSE SOCIAL DESFAVORECIDA, À LUZ DA NOVA ORDEM MUNDIAL, IMPACTADA PELA GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO, NUM ENFOQUE MÍSTICO-TRANSCENDENTAL, CORROBORADO PELOS IDEAIS FREUDIANOS-LENINISTAS, SEM ASPIRAÇÕES EPICURISTAS

nasceu
cresceu
desencarnou

3. MINIMALIZE. Corte tudo o que está sobrando. Escrever um poetrix é lapidar um diamante. Nenhum texto fica pronto “de primeira”. É preciso, sempre, trabalhá-lo. Literatura é 10% inspiração e 90% transpiração. Com o poetrix, apesar de pequeno, não é diferente. Exemplo:

ANTES:

DRAGÃO

com a cabeça no ar
e com os pés no chão
é um homem? não, um dragão

DEPOIS:

DRAGÃO

cabeça no ar
e pés no chão
homem? dragão

4. PESQUISE. Enriqueça o seu texto com informações pertinentes. Vejam este poetrix:

XENOGLOSSIA

na Planície de Sine-Ar
decifrar tua língua
em minha Torre de Babel

Após ter a idéia, fui à Bíblia obter mais informações sobre a Torre de Babel. Lá descobri que ela foi supostamente erguida na planície de Sinear. Em latim, “sine” quer dizer sem. A informação caiu perfeitamente: a língua, a torre, alguém “sem ar”... Uma pequena informação pode fazer uma grande diferença.

5. NÃO CONFUNDA POETRIX COM HAI-KAI. Para isso, é importante conhecer, também, os fundamentos do hai-kai (ver texto que disponibilizei sobre o assunto em www.prefacio.net). Para começar: se o tema do seu poetrix é a Natureza, desconfie. Pode ser que nasça um hai-kai, e não um poetrix.

6. UTILIZE FIGURAS DE LINGUAGEM. Em todas as formas poéticas, o uso de figuras de linguagem, metáforas, tropos e imagens enriquecem bastante o texto. Por vezes, é necessário “substantivá-lo”.

QUANDO A MARÉ ENCHER

Verdi no azul do mar
tocardo forró no piano
pra Netuno e Yemanjá

7. ACABE COM AS CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS: Mas, Contudo, Porém, Todavia, Não Obstante, Entretanto, No entanto, geralmente não servem para nada em um poetrix, assim como a conjunção explicativa Pois.

8. NÃO FORCE RIMAS. Poetrix não é soneto. Às vezes pode-se dispensar completamente uma rima, utilizando-se bem o ritmo, a sonoridade e a riqueza semântica  das palavras.

9. POETRIX NÃO É PROVÉRBIO. Muito menos, frase de pára-choque de caminhão. Evite coisas como (blargh!):

ARROCHA

mulher e parafuso:
comigo
é no aperto

(Só um texto explicativo, mesmo, para me fazer criar uma “coisa destas”! Que sacrifícios a gente não faz pela Literatura!)


10. O NÃO-DITO FALA MAIS QUE O DITO. Não pense que seu leitor é burro. Não dê tudo “mastigado”.  Faça com que seu texto “dialogue” com o leitor, permita que ele faça sua própria “viagem” nas palavras:

ÁCIDO

a água furou a pedra
moinhos de amsterdã
a manhã será mais bela

HOLOKAWSTO

há o que não houve
retalhos de nylon
cogumelo atônito

E, para finalizar, não esqueça: O POETRIX é um poema composto de título e uma estrofe de três versos (terceto) com um máximo de trinta sílabas métricas.
Movimento Poetrix

http://www.movimentopoetrix.com/

 
"Xeque" ou mate! 

Rosa Pena 

sem pré
sem pós
nós

 

 


 

Escrito por universitários cariocas às 13h11
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06/04/2008


Passeando por Pasárgada

Rosa Pena

Amigo do rei?
Deu bandeira.
Olá Manuel!


www.rosapena.com


-------
Deu BaNdeira

-
Silvana Guimarães

Febre, dor pelo corpo afora,
a estrela que eu podia ter sido e não fui.
Um tango à toa a vida inteira.

--------
http://www.germinaliteratura.com.br/
 

 
POETRIX AOS MESTRES:
BANDEIRA

-
 Goulart Gomes


 vou-me embora pra Bahia
 porque lá
 todo mundo é "meu rei"

------

http://www.movimentopoetrix.com/

*
A ONDA

Manuel Bandeira

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
A Estrela da Tarde
(1963)
***


Reparem no interessante paralelismo "ainda onda/ainda anda". A onda é onda
quando anda; a onda é onda quando em movimento. Se ela pára, não é mais
onda, não anda. A repetição final do poema "a onda a onda" parece dar murro
em ponta de faca; ou melhor: a onda parece se quebrar no rochedo ou morrer
na praia. E a repetição lingüística indica que a linguagem também já não
caminha, não progride, mas está paralisada, como a onda, não mais onda
porque não mais anda. É onda morta.
***
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasce no Recife a 19 de abril de
1886. Aos 10 anos vai com a família para o Rio de Janeiro. Em 1903,
matricula-se na Escola Politécnica, em São Paulo, mas, pouco tempo depois, é
obrigado a abandonar os estudos devido a uma tuberculose. Aos vinte e sete
anos, interna-se em sanatório na Suíça a fim de tratar da doença. Com a
eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o poeta retorna ao Rio de
Janeiro. Seu primeiro livro, A cinza das horas, data de 1917. Em 1922,
colabora na revista modernista Klaxon, mas não participa da Semana de Arte
Moderna. Em 1938, é nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II e em
1940 é eleito para a Academia Brasileira de Letras. Bandeira publica vários
livros e, aos oitenta anos, lança Estrela da vida inteira, uma reunião de
seus poemas. Em 1968, falece no Rio de Janeiro e é sepultado no mausoléu da
Academia Brasileira de Letras.
**************
Grupo Unirio (universitários do grande Rio)


http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias

 

 

 


Homo Brasiliensis
Murilo Mendes


O homem
É o único animal
que joga no bicho.

*


Mutatis mutandis
Rosa Pena

A mulher
É o único bicho
que aposta no homem.

*
PS: "Mutatis mutandis" - Diz-se de dois fatos que, com pequena alteração das
circunstâncias, são iguais. Mude-se o que deve ser mudado.
*

 


Murilo Mendes


Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Fez as
primeiras letras na terra natal e no Colégio Salesiano, em Niterói. Foi
dentista, telegrafista, auxiliar de guarda-livros, notário e Inspetor
Federal de Ensino. Mendes cresceu sob o código familiar tradicional da moral
cristã. Também sofreu influência do mestre e vizinho Belmiro Braga. Sua
estréia na literatura se deu em revistas do Modernismo, Terra Roxa e Outras
Terras e Antropofagia. Quando rapaz, por não conseguir se encaixar na escola
ou no trabalho, foi morar com seu irmão mais velho no Rio de Janeiro. Lá,
Murilo se firmou como escrivão e, em 1930, publicou Poemas, seu primeiro
livro. Nessa época, ligou-se a Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Oswald de
Andrade, Raul Bopp, Ismael Nery e outros combatentes do modernismo. Ele
participava, eventualmente, nas revistas do movimento. Aos 24 anos, escreveu
na publicação Antropofagia o poema Mapa, onde diz não se enquadrar em
nenhuma teoria. Negava-se a falar que era um filiado do Modernismo ou de
qualquer outro movimento. Em 1934, converteu-se ao Catolicismo e com Jorge
de Lima dedicou-se à "restauração da poesia em Cristo". De 1953 a 1955
percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura
brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura
Brasileira. Participou do movimento Antropofágico, revelando-se um
conhecedor da vanguarda artística européia. Faleceu, em Portugal, em 1975.
*
__________________

visite:

http://www.unirio.br/biblioteca/





 

Escrito por universitários cariocas às 00h39
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MEU INFERNO
 
Créditos:
LETRA: Goulart Gomes
MÚSICA E INTERPRETAÇÃO: Cal Ribeiro
Premiada no Festival de Música da Petrobrás
 
 

Escrito por universitários cariocas às 00h36
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 20 a 25 anos

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