Para_Todos


03/06/2008


Isto é virtual? Rosa Pena...entro apressada

 

Isto é virtual ? 
(que cismaram de trocar o título para mundo virtual , realidade cruel, Virtualismo Insensato... etc, trocarem o sexo e tirarem a autoria )

Rosa Pena


Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja.
Abro o laptop.
Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.
— Tia, dá um trocado?
— Não tenho, menino.
— Só uma moedinha para comprar um pão.
— Está bem, compro um para você.
Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.
— Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
— Ok, vou pedir, mas depois me deixa trabalhar. Estou ocupadíssima.
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto “ir à luta”. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim.
Digo que está tudo bem, que o deixe ficar e traga o pedido do menino.
— Tia, você tem internet?
— Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
— O que é internet?
— É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no mundo virtual.
— E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza de que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
— Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
— Legal isso. Adoro!
— Menino, você entendeu o que é virtual?
— Sim, também vivo neste mundo virtual.
— Nossa! Você tem computador?
— Não, mas meu mundo também é desse jeito...virtual.
Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia.
Isso é virtual, não é tia?


ps: Esta crônica consta de meu livro preTextos, editora all print.Registrada na biblioteca nacional desde junho de 2003,circula na net com autoria desconhecida.


   Está em 32 sites.Utopia minha, mas sempre sonharei com um mundo mais justo, onde filhos possuam pais e prosas & poesias... Autorias.
Obrigada a quem divulgar minha autoria.

Rosa Pena

Escrito por universitários cariocas às 12h19
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11/04/2008


Tibet
Rosa Pena

Muitos porcos
poucas pérolas
Uma Lama, Dalai!

"O sono da razão produz monstros."

Francisco José de Goya y Lucientes
 
ILUSTRAÇÃO: Goya
 
 
 
LES DEMOISELLES D'AVIGNON
Pablo Picasso
(MUSEU DE ARTE MODERNA, NOVA YORK)

Cubismo literário

Rosa pena 

Cuidado com o traço.
Os sábios quadrados...
Ainda odeiam Picasso.

*

Demoiselles

 

Moacir et Selena

 

les Demoiselles d'avignon
avec - voilà ! - champignon
seront touttes de Bon Ton!
 
*

MARIONETAS

Carmo Vasconcelos

Míticos e absurdos são os sonhos…
Mistificadores
em noites de equações mal resolvidas

Hipnóticos breves
para alucinações da carne
e cefaleias da alma…
Poções inconsequentes
vertidas ao acaso do humor dos deuses
que ébrios de diversão terrena
puxam os cordelinhos
insensíveis
ao sabor acre dos despertares

Marionetas somos
nas mãos libidinosas
dos homens e dos deuses!

 

Escrito por universitários cariocas às 13h38
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07/04/2008


Estação sem flor?
Rosa Pena

Um cão sem dono...
Eu outono.
À flor da pele.

*
OUTONO


desfolha tons,
e mais tons abriga.
Diz folhas.


Eliana Mora, 01/04/2008


 
DEZ DICAS PARA UM BOM POETRIX
(Goulart Gomes)


1. EVITE AS ORAÇÕES COORDENADAS. Um poetrix não é uma frase fatiada em três partes. Vamos tomar um exemplo:

TELEFONEMA

passei a noite em casa
esperando que ela ligasse
mas ela não ligou

Isso não é um poetrix, é a primeira oração de um texto! Está simplesmente horrível! Mas, notemos como ele poderia ficar bem melhor, se a idéia fosse expressada de outra forma:


TELEFONEMA

noite em branco
telefone mudo
até o amanhecer


2. EXPLORE O PODER DO TÍTULO.  Uma das grandes vantagens do poetrix é a existência do título, o que não há no hai-kai. Por vezes, ele pode ganhar uma característica de “verbete”, sendo definido pela estrofe. Suprimam o título e observem diferença que faz:

SEMÁFORO

pensei ser outra lua
olho verde contra o céu
fugaz, no meio da rua

Outro trunfo é que o título não entra na contagem de sílabas. Assim, alternativas criativas podem ser formuladas. Num exercício “exagerado” desta possibilidade, uso como exemplo:

ESTUDO SOCIOANTROPOLÓGICO DE UM COMUM CIDADÃO LATINOAMERICANO DE CLASSE SOCIAL DESFAVORECIDA, À LUZ DA NOVA ORDEM MUNDIAL, IMPACTADA PELA GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO, NUM ENFOQUE MÍSTICO-TRANSCENDENTAL, CORROBORADO PELOS IDEAIS FREUDIANOS-LENINISTAS, SEM ASPIRAÇÕES EPICURISTAS

nasceu
cresceu
desencarnou

3. MINIMALIZE. Corte tudo o que está sobrando. Escrever um poetrix é lapidar um diamante. Nenhum texto fica pronto “de primeira”. É preciso, sempre, trabalhá-lo. Literatura é 10% inspiração e 90% transpiração. Com o poetrix, apesar de pequeno, não é diferente. Exemplo:

ANTES:

DRAGÃO

com a cabeça no ar
e com os pés no chão
é um homem? não, um dragão

DEPOIS:

DRAGÃO

cabeça no ar
e pés no chão
homem? dragão

4. PESQUISE. Enriqueça o seu texto com informações pertinentes. Vejam este poetrix:

XENOGLOSSIA

na Planície de Sine-Ar
decifrar tua língua
em minha Torre de Babel

Após ter a idéia, fui à Bíblia obter mais informações sobre a Torre de Babel. Lá descobri que ela foi supostamente erguida na planície de Sinear. Em latim, “sine” quer dizer sem. A informação caiu perfeitamente: a língua, a torre, alguém “sem ar”... Uma pequena informação pode fazer uma grande diferença.

5. NÃO CONFUNDA POETRIX COM HAI-KAI. Para isso, é importante conhecer, também, os fundamentos do hai-kai (ver texto que disponibilizei sobre o assunto em www.prefacio.net). Para começar: se o tema do seu poetrix é a Natureza, desconfie. Pode ser que nasça um hai-kai, e não um poetrix.

6. UTILIZE FIGURAS DE LINGUAGEM. Em todas as formas poéticas, o uso de figuras de linguagem, metáforas, tropos e imagens enriquecem bastante o texto. Por vezes, é necessário “substantivá-lo”.

QUANDO A MARÉ ENCHER

Verdi no azul do mar
tocardo forró no piano
pra Netuno e Yemanjá

7. ACABE COM AS CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS: Mas, Contudo, Porém, Todavia, Não Obstante, Entretanto, No entanto, geralmente não servem para nada em um poetrix, assim como a conjunção explicativa Pois.

8. NÃO FORCE RIMAS. Poetrix não é soneto. Às vezes pode-se dispensar completamente uma rima, utilizando-se bem o ritmo, a sonoridade e a riqueza semântica  das palavras.

9. POETRIX NÃO É PROVÉRBIO. Muito menos, frase de pára-choque de caminhão. Evite coisas como (blargh!):

ARROCHA

mulher e parafuso:
comigo
é no aperto

(Só um texto explicativo, mesmo, para me fazer criar uma “coisa destas”! Que sacrifícios a gente não faz pela Literatura!)


10. O NÃO-DITO FALA MAIS QUE O DITO. Não pense que seu leitor é burro. Não dê tudo “mastigado”.  Faça com que seu texto “dialogue” com o leitor, permita que ele faça sua própria “viagem” nas palavras:

ÁCIDO

a água furou a pedra
moinhos de amsterdã
a manhã será mais bela

HOLOKAWSTO

há o que não houve
retalhos de nylon
cogumelo atônito

E, para finalizar, não esqueça: O POETRIX é um poema composto de título e uma estrofe de três versos (terceto) com um máximo de trinta sílabas métricas.
Movimento Poetrix

http://www.movimentopoetrix.com/

 
"Xeque" ou mate! 

Rosa Pena 

sem pré
sem pós
nós

 

 


 

Escrito por universitários cariocas às 13h11
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06/04/2008


Passeando por Pasárgada

Rosa Pena

Amigo do rei?
Deu bandeira.
Olá Manuel!


www.rosapena.com


-------
Deu BaNdeira

-
Silvana Guimarães

Febre, dor pelo corpo afora,
a estrela que eu podia ter sido e não fui.
Um tango à toa a vida inteira.

--------
http://www.germinaliteratura.com.br/
 

 
POETRIX AOS MESTRES:
BANDEIRA

-
 Goulart Gomes


 vou-me embora pra Bahia
 porque lá
 todo mundo é "meu rei"

------

http://www.movimentopoetrix.com/

*
A ONDA

Manuel Bandeira

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
A Estrela da Tarde
(1963)
***


Reparem no interessante paralelismo "ainda onda/ainda anda". A onda é onda
quando anda; a onda é onda quando em movimento. Se ela pára, não é mais
onda, não anda. A repetição final do poema "a onda a onda" parece dar murro
em ponta de faca; ou melhor: a onda parece se quebrar no rochedo ou morrer
na praia. E a repetição lingüística indica que a linguagem também já não
caminha, não progride, mas está paralisada, como a onda, não mais onda
porque não mais anda. É onda morta.
***
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasce no Recife a 19 de abril de
1886. Aos 10 anos vai com a família para o Rio de Janeiro. Em 1903,
matricula-se na Escola Politécnica, em São Paulo, mas, pouco tempo depois, é
obrigado a abandonar os estudos devido a uma tuberculose. Aos vinte e sete
anos, interna-se em sanatório na Suíça a fim de tratar da doença. Com a
eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o poeta retorna ao Rio de
Janeiro. Seu primeiro livro, A cinza das horas, data de 1917. Em 1922,
colabora na revista modernista Klaxon, mas não participa da Semana de Arte
Moderna. Em 1938, é nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II e em
1940 é eleito para a Academia Brasileira de Letras. Bandeira publica vários
livros e, aos oitenta anos, lança Estrela da vida inteira, uma reunião de
seus poemas. Em 1968, falece no Rio de Janeiro e é sepultado no mausoléu da
Academia Brasileira de Letras.
**************
Grupo Unirio (universitários do grande Rio)


http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias

 

 

 


Homo Brasiliensis
Murilo Mendes


O homem
É o único animal
que joga no bicho.

*


Mutatis mutandis
Rosa Pena

A mulher
É o único bicho
que aposta no homem.

*
PS: "Mutatis mutandis" - Diz-se de dois fatos que, com pequena alteração das
circunstâncias, são iguais. Mude-se o que deve ser mudado.
*

 


Murilo Mendes


Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Fez as
primeiras letras na terra natal e no Colégio Salesiano, em Niterói. Foi
dentista, telegrafista, auxiliar de guarda-livros, notário e Inspetor
Federal de Ensino. Mendes cresceu sob o código familiar tradicional da moral
cristã. Também sofreu influência do mestre e vizinho Belmiro Braga. Sua
estréia na literatura se deu em revistas do Modernismo, Terra Roxa e Outras
Terras e Antropofagia. Quando rapaz, por não conseguir se encaixar na escola
ou no trabalho, foi morar com seu irmão mais velho no Rio de Janeiro. Lá,
Murilo se firmou como escrivão e, em 1930, publicou Poemas, seu primeiro
livro. Nessa época, ligou-se a Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Oswald de
Andrade, Raul Bopp, Ismael Nery e outros combatentes do modernismo. Ele
participava, eventualmente, nas revistas do movimento. Aos 24 anos, escreveu
na publicação Antropofagia o poema Mapa, onde diz não se enquadrar em
nenhuma teoria. Negava-se a falar que era um filiado do Modernismo ou de
qualquer outro movimento. Em 1934, converteu-se ao Catolicismo e com Jorge
de Lima dedicou-se à "restauração da poesia em Cristo". De 1953 a 1955
percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura
brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura
Brasileira. Participou do movimento Antropofágico, revelando-se um
conhecedor da vanguarda artística européia. Faleceu, em Portugal, em 1975.
*
__________________

visite:

http://www.unirio.br/biblioteca/





 

Escrito por universitários cariocas às 00h39
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MEU INFERNO
 
Créditos:
LETRA: Goulart Gomes
MÚSICA E INTERPRETAÇÃO: Cal Ribeiro
Premiada no Festival de Música da Petrobrás
 
 

Escrito por universitários cariocas às 00h36
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19/03/2008


Escrito por rosa pena e universitários às 19h01
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Quando o carnaval chegar...

Rosa Pena

 

Há quanto tempo desejo seu beijo
molhado de maracujá
tou me guardando pra quando o carnaval chegar”

 

Chico Buarque

 


Buraco para dois, leito sem roupa, incenso de capim sem senso. Um sopro manso, um céu que se deita no mar. Livros novos, que não serão lidos, um vinho branco que fica tinto ao nos olhar, línguas perdidas em bocas, um samba que não obedece ao enredo improviso flores mal-educadas que nascem sem pedir licença, vagabundos feitos sob medida graças a Deus risada vitoriosa, um sol assustado ao perceber que não vimos que trocou de lado, três dias de menstruação amorosa folia de rei e rainha fósforo aceso perto da palha: —Fogo!!! 

Afinal, quarta-feira não é de cinzas?  Que o braseiro fique lotado delas.


Escrito por rosa pena e universitários às 18h53
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05/01/2008


Ando com saudades de café com pão.. Saudades.. autoria rosa pena

 Saudades

              Rosa Pena



Ando com saudades de café com pão, de namorados dando beijinhos no portão, de pedir bênção a pai e mãe, (Deus te abençoe), do sinal da cruz que fazia quando passava na frente da igreja, de ver um varal cheio de roupa com cheiro apenas de sabão, de ver alguém sorrindo enquanto lava a louça com bucha vegetal, de sentir respeito pela policia, de cantar o hino Nacional com mão no peito e lágrimas nos olhos, de acreditar que o Brasil ganhou a Copa do Mundo porque jogou direito, de saber que o Zezinho filho do porteiro não vai morrer de dengue e que Maria feirante poderá ter um filho médico. Saudades de homens que usavam apenas o assobio como galanteio.Fiu-fiu!

Morro de saudades do tempo em que um presidente de uma nação era o mais respeitado cidadão do país.Que cadeia era lugar só de ladrão. Acho que andaram invertendo a situação.

Ando com saudades de galinha de galinheiro, de macarrão feito em casa com tempero sem agrotóxico, de só poder tomar guaraná em dia de festa, de homens de gravatas, de novela com final feliz, de pipoca doce de pipoqueiro, de dar bom dia à vizinha, de ouvir alguém dizer obrigado ao motorista e ele frear devagarinho preocupado com o passageiro. Saudades de gritar que a porta está aberta para os que chegam. Um saco destrancar tanto papaiz.

Saudades do tempo em que educação não era confundida com autenticidade. Hoje se fala o que quer, em nome de uma "tal" verdade e pedir perdão virou raridade.

Ando com saudades de ver no céu pipas não atingidas pelo efeito estufa.

Saudades das chuvas sem acidez, que não causavam aridez. Saudades de poder viajar
sem medo de homem bomba, de ser recebida com pompa em outra nação.

Atualmente reina a desconfiança no coração.

Sinto muitas saudades do rubor das faces de minha mãe, quando se falava de sexo totalmente sem nexo.

Hoje ele é tão banal que até eu banalizei.

Acho que a maior saudade que tenho é a saudade de tudo que acreditei.

Para minha filha não poderei deixar sequer a esperança. Hoje já não se nasce criança.

Livro PreTextos/rosapena
2003


ps: Mais uma crônica de minha autoria vagando na net sem autoria!
Rosa Pena

Escrito por rosa pena e universitários às 16h12
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19/12/2007


Entro apressada e com muita fome

Isto é virtual ? 
(que cismaram de trocar o título para mundo virtual , realidade cruel, Virtualismo Insensato, Um natal nada virtual e tirarem minha autoria )

Rosa Pena


Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja.
Abro o laptop.
Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.
— Tia, dá um trocado?
— Não tenho, menino.
— Só uma moedinha para comprar um pão.
— Está bem, compro um para você.
Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.
— Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
— Ok, vou pedir, mas depois me deixa trabalhar. Estou ocupadíssima.
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto “ir à luta”. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim.
Digo que está tudo bem, que o deixe ficar e traga o pedido do menino.
— Tia, você tem internet?
— Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
— O que é internet?
— É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no mundo virtual.
— E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza de que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
— Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
— Legal isso. Adoro!
— Menino, você entendeu o que é virtual?
— Sim, também vivo neste mundo virtual.
— Nossa! Você tem computador?
— Não, mas meu mundo também é desse jeito...virtual.
Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia.
Isso é virtual, não é tia?


ps: Esta crônica consta de meu livro preTextos, editora all print.Registrada na biblioteca nacional desde junho de 2003,circula na net com autoria desconhecida.


Rosa Pena
Publicada anteriormente em: 21/11/04 • Leituras: 2793 • Comentários:84

*
OBS: Deixei a data em que foi publicada esta crônica no site Recanto e o ps que eu já tinha posto. Ela está em 18 sites desde março de 2004, em  impressos no papel.
Utopia minha, mas sempre sonharei com um mundo mais justo, onde filhos possuam pais e prosas & poesias... Autorias.
Obrigada a quem divulgar minha autoria.

Rosa Pena

Escrito por rosa pena e universitários às 18h12
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Um Natal nada virtual, é tirarem a autoria de Isto é virtual, texto de Rosa Pena


Entrei apressado e com muita fome no restaurante. ( Não entrou não seu cara de pau, quem entrou fui eu Rosa Pena, e mais, entrei numa confeitaria, até  que  alguém resolver tirar minha autoria e repassar como se tivesse vivido o que eu vivi.)   Texto correto em:  http://www.rosapena.com/visualizar.php?idt=30863

Escrito por rosa pena e universitários às 18h10
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16/12/2007


Poema De Natal

Vinicius de Moraes

 

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


 

Escrito por rosa pena e universitários às 23h33
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19/10/2007


Escrito por rosa pena e universitários às 10h38
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Imagem em tempo-real
 Rosa Pena

 

 

 


Fiz uma ultra-sonografia da minha mente. Diagnóstico: Maluca.

 

Ela fala sozinha. Ela chora enquanto eu estou sorrindo, ela entoa chorinho na hora em que estou curtindo um rock, ela se veste de preto quando eu estou de vermelho, ela adora voar , eu tenho medo de avião, ela é corajosa, eu sou a síntese do medo, ela grita o seu nome quando estou beijando outro.

 

Este é o motivo das mentes viverem internadas nos corpos.

 

Não sabem dizer mentiras sociais.

 

Agora, neste exato momento, estou fazendo um requerimento e veja onde está meu pensamento!

 

 

 

 

2005

 

 

 

Escrito por rosa pena e universitários às 10h29
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10/08/2006


Atenção!


Rosa Pena


Eis a questão!
Existiria bússola
sem o norte?
Jogo de azar
sem a sorte?
A carne é fraca,
sem a paixão forte?
Tem musculação
para miolos enfraquecidos?
Ai que arrepio nos tecidos!
Cadê a solução?

Muita Atenção

Tânia Melo

Existiria o poderoso sem o submisso?
O sádico sem o masoquista?
Ai, eu arranco os cabelos com isso...
E o aerolula sempre na pista...

 


 

Escrito por rosa pena e universitários às 05h08
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30/06/2006


O Metrô de Paris, conhecido localmente por Métropolitain ou Paris Métro.

Carpe Diem
 Rosa Pena


Subi correndo no metrô, as portas já iam se fechar. Lotado. Amaldiçoei minha sandália de salto, visto que atualmente já não se vai mais ao centro da cidade arrumada. Na aldeia carioca, atualmente só se arruma para eventos.
Estava dividida entre a razão e a emoção.
Louca que alguém me cedesse um lugar e temerosa de que isso acontecesse, pois a cessão de lugar dar-me-ia o conforto dos pés e o desconforto emocional, tipo: “Senta, minha senhora.”
Bem, um garotão cedeu-me o lugar. Ele, como eu, estava arrumado, de terno e gravata.
Barba feita, rosto lisinho que nem bundinha de neném e cheiroso pra dedéu. Reconheci na hora o perfume: Carpe Diem, do Boticário. Socorro! Essa fragrância é fascinante.
Sentada no lugar dele, ofereci-me para segurar a pasta que ele levava. Ao entregar-me, percebi que usava abotoadura.
Há quanto tempo não vejo homens com abotoadura. Veio a rima na hora. Ela rima com loucura. A letra é C.
Continuo fingindo que não olho para o rapaz e abro o livro da Queiroz. Será que ele se chama Cláudio?
Aborto a idéia da leitura e vou fechar os olhos. Se pensarem que estou cochilando danem-se. Imagino o olhar do Claudinho nas minhas coxas. Vou mais, imagino eu chegando em casa de madrugada cheirando a Carpe Diem.
E vou traçando roteiros com fundo musical tipo “Je t’ aime”. Quem sabe, “O último tango em Paris”? “Bem que se quis”?
Sinto uma vibração entre as pernas. Vibra e vibra mesmo. Acho que preciso mudar de hormônio, o Libian está supervalorizando minha libido.
Ouço a voz do meu quase amante Cláudio ao longe.
— Por favor, posso apanhar o celular que está na pasta? Tirei o som e deixei no vibrador, não sei nem se vibrou.
Vibrou, garoto, menos que eu, mas vibrou sim.
A estação Uruguaiana já passou. Salto na Cinelândia.
Quantas estações em minha vida deixei passar?


 

 

Irritação no metrô.


Osvaldo pastorelli



O metrô não estava superlotado, estava cheio.
E naquele dia parecia que havia uma irritação geral nas pessoas.
Não sabem viver sem estar no desespero de alguma coisa.
Vivem correndo, atropelando, empurrando, sempre com medo de perder o último
metrô, com isso,   perdem o que mais tem de valor: a vida, o incomensurável
sentir o que ocorre diante dos olhos e com eles próprios.
Com isso a vida se esvai num piscar de olhos e nem percebem.
Em pé, estava sendo empurrada pela senhora, a bolsa ou mochila, não dava
para ver, roçava a perna. Sentia as costas molhadas de suor azedo revirando
o estômago.
Será que não percebia como incomodava com a mochila?
Será que não percebia como ridícula é a vida tendo pessoas como ela?
Não, não percebia, se achava no direito de proceder como quisesse, o que
nisso, tinha razão.
Mas viver como quisesse tem limite, há um ponto que não se pode ultrapassar,
e ela ultrapassava esse ponto, esse limite.
A prova era a irritação dele ao ser exprimido pela mochila dela batendo em
suas pernas quase que propositadamente, sem que ela fizesse alguma coisa
para que isso fosse evitado.
E como demonstrar à ela sem que se zangasse?

- Oh! Minha senhora, não está vendo a mochila apertando minha perna?

- Ah! O folgado esta se sentindo incomodado é? Que pegue um táxi. – ela retrucaria.

E como detesta discussões, mais ainda em público, ficaria quieto, com o rosto pegando fogo de raiva.
Por sorte na próxima estação ele desceria.


25.11.2002

  

 

 

 

Escrito por rosa pena às 23h31
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 20 a 25 anos

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